• Pr. Henrique Lino da Silva

O que é e como funciona a teologia que prega prosperidade e saúde através do poder da palavra

A Confissão Positiva, movimento que influencia as igrejas neo-pentecostais da atualidade, tanto no Brasil quanto no mundo, tem origem no século 19, quando Essek William Kenyon, nascido em 1867, passou a pregar influenciado pelas ideias de Finéias Parkhusst Quimby, conhecido como curandeiro e hipnotizador, além de fundador de uma corrente chamada “Novo Pensamento”.

Os envolvidos na influência dessa corrente na pregação de Kenyon são

Mary Baker Eddy, fundadora da Igreja da Ciência Cristã e introdutora de

Kenyon a respeito das teses de Quimby, além de Charles Emerson, fundador

da “Emerson School of Oratory” (Escola de Oratória de Emerson, em

tradução livre), onde o pregador Kenyon estudou e recebeu orientações de

Charles.

Existem correntes dentro desse movimento, que se distinguem entre os que

são unicistas, os que deificam o homem e os que pregam Jesus com uma

perspectiva mais excêntrico, exótico. As principais características

desse movimento são a mensagem de prosperidade e saúde, e os resultados

alcançados nesses quesitos como provas de uma vida cristã correta.

Há ainda uma característica a ser observada: geralmente os pregadores

influenciados pelo movimento da Confissão Positiva usam a Bíblia para

reforçar seus argumentos e se dizem profetas que receberam diretrizes

diretamente de Deus.

A principal influência do fundador do “Novo Pensamento” nesse movimento é

a crença de que ao declarar determinado objetivo, tal desejo já foi

alcançado, bastando crer e esperar que se cumpra. Os ensinos de Quimby

falavam sobre o poder da mente e negavam a existência da matéria, do

sofrimento, do pecado e da enfermidade.

Em artigo publicado no site Palavra da Verdade, o pastor Esequias Soares

afirma que o pregador Kenyon “se empenhou nas campanhas pregando

salvação e cura em Jesus Cristo dando ênfase aos textos bíblicos que

falam de saúde e prosperidade. Aplicava a técnica do poder do pensamento

positivo. Orava pelos enfermos e muitos foram salvos e curados, mas

outros não. Não era pentecostal, pastoreou várias igrejas e fundou

outras. Kenyon foi influenciado pelas seitas Ciência da Mente, Ciência

Cristã e a metafísica do Novo Pensamento. Kenyon é reconhecido hoje como

o pai do Movimento Confissão Positiva, também conhecido como Teologia

da Prosperidade, Palavra da Fé ou Movimento da fé, pois influenciou

Kenneth Hagin”.

Kenneth Hagin foi um dos grandes entusiastas do século 20 a respeito dos

ensinos de Kenyon. O pastor Soares relata que “Hagin estudava os

escritos de Kenyon e divulgava esses ensinos kenyanos em livros,

cassetes e seminários, dando ênfase a confissão positiva. Em 1974 fundou

o Centro Rhena de Adestramento Bíblico, em Oklahoma. Muitos pastores e

movimentos foram influenciados por Hagin. Em 1979, Hagin, Kenneth

Copeland, Frederick Price, Charles Capps e alguns outros fundaram a

Convenção Internacional de Igrejas da Fé, em Tulsa, Oklahoma” relembra.

Com grande visibilidade e acumulando seguidores, Hagin passou a

estruturar melhor sua “Teologia da Prosperidade” e passou a pregar que

Jesus havia sido rico. “Afirmam que Jesus vivia numa casa grande,

administrava muito dinheiro, por isso precisava de um tesoureiro, e

usava roupa de grife. Cremos não haver necessidade de refutar tais

idéias, pois todos sabem que Jesus “se fez pobre, para que pela sua

pobreza, enriquecêsseis”, 2 Coríntios 8.9. Compare ainda Lucas 2.21-24

com Levítico 12.2-4, 6, 8; 9.5, 8”, rebate o pastor Esequias Soares.

Boa parte da argumentação de dos ensinamentos de Hagin são baseados em

uma distorção etimológica, segundo o pastor Soares. Hagin distinguia os

termos gregos Rhema e Logos, que significam palavra. Porém, para Hagin,

cada um deles tinha uma representação diferente: “Ele afirma que logos é

a palavra de Deus escrita, a Bíblia e que rhema é a palavra falada por

Deus em revelação ou inspiração a uma pessoa em qualquer época, de modo

que o crente pode repetir com fé qualquer promessa bíblica, aplicando a

sua necessidade pessoal, e exigir seu cumprimento”.

Com isso, Kenneth Hagin argumentou e convenceu milhares de pastores e

influenciou boa parte dos cristãos. “A base da confissão positiva é a

fé. O crente deve declarar que já tem o que Deus prometeu nos textos

bíblicos e tal confissão pode trazer saúde e prosperidade financeira. A

confissão negativa, por sua vez, é reconhecer a presença das condições

indesejáveis. Em outras palavras, você nega a existência da enfermidade e

ela simplesmente deixará de existir. Isso é o que ensinava Quimby e

ensina ainda hoje a seita Ciência Cristã. Atribuir tanta autoridade

assim às palavras de uma pessoa extrapola os limites bíblicos. Além

disso, não é verdade que haja essa diferença entre logos e rhena. Deus é

Senhor e soberano e nós os seus servos. O Senhor Jesus nos ensinou na

chamada Oração do Pai Nosso: “Seja feita a tua vontade, tanto na terra

como no céu”, Mateus 6.10. Essas duas palavras gregas são usadas

alternadamente para indicar a Bíblia”, desmistifica o pastor Soares.

Para Soares, a Bíblia possui passagens que contradizem a Confissão

Positiva e que a promessa do perdão, por exemplo, parte da confissão de

culpa: “A Bíblia diz que devemos confessar nossas culpas para que

sejamos sarados (Tiago 5.16) e isso não parece ser confissão positiva.

Apóstolo Paulo afirma haver se contentado com a abundância e com a

escassez (Filipenses 4.11-13). É verdade que a doença é conseqüência da

queda do Éden, mas dogmatizar que todos os enfermos estão em pecado ou

não têm fé é ir além do que está escrito”.

A divisão entre os que defendem as teses da Confissão Positiva, ou

Teologia da Prosperidade e os que vão contra esse movimento é algo que

acirra nervos entre seus adeptos. O pastor Soares encerra seu artigo

incentivando o debate entre as partes e classifica o movimento da

Confissão Positiva como uma distorção: “Algumas pessoas vêem as

aberrações da confissão positiva, mas às vezes hesitam em rebater esses

abusos temendo dividir o povo de Deus, ou até mesmo ser reputado como

incrédulo ou anti-pentecostal”, conclui

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